Tecnicamente falando, “autoanálise” e “autoconhecimento” são coisas distintas: o primeiro é o processo de se conhecer (analisar a si), enquanto que o segundo é o resultado adquirido (o conhecimento sobre si). Mas no dia-a-dia não é incomum ver ambas as palavras sendo usadas da mesma forma. Eu mesma faço isso sem perceber, então é bem possível que eu use o termo “autoconhecimento” ao falar sobre a jornada analítica pessoal. Relevem!

Uma das poucas coisas que se mantiveram consistentes na minha vida foi o interesse pelo tema “autoconhecimento”. Não lembro como isso começou, mas sei que desde a adolescência eu me atraio por qualquer coisa que envolva “se conhecer”. Hoje, esse tema segue como um cerne na minha vida, que se expandiu pra questões mais complexas, como identidade, personalidade, expressão, pertencimento e a relação com definições e rótulos que permeiam a sociedade.
E depois de décadas de existência, aprendendo sobre a natureza, o universo, a psicologia e comportamento humano, e tendo minhas próprias vivências e amadurecimento… posso afirmar que:
“Autoconhecimento” é sobre você e o mundo.
Quando mais jovem, eu achava que autoconhecimento era sobre descobrir características da personalidade. Definir qual era o meu gosto musical e literário, meu tipo psicológico, signo, estilo estético, vocação profissional, etc. etc.
E cabô aí.
Mas a vida, meus amigos, a vida é uma caixinha de surpresas. A vida adulta trouxe uma série de desafios e minha saúde mental começou a dar sinais de que não estava dando conta. Eu tentava seguir em frente, lidar com os problemas, melhorar a situação em que eu tava… mas nunca saía do lugar. Estava estagnada e afundando internamente.

Aí, o que que tu faz? Começa a se questionar. Comecei a me perguntar “porquê não consigo sair dessa situação?”, “porquê estou sofrendo com isso aqui?”, “porquê é tão difícil?” ou “porquê que eu reajo dessa forma?”.
Pra mim, entender os porquês e causas de determinada questão é fundamental pra poder superar ou mudar ela. Comecei a aprofundar minha autoanálise, com o pouco de conhecimento sobre psicologia que eu tinha e aprendendo cada vez mais sobre saúde mental, tentando entender o que era “culpa minha” e o que não estava sob meu controle.
Foi aí que percebi o quanto somos um reflexo do ambiente em que nos desenvolvemos. O quanto o mundo impacta a nossa mente e corpo. O quanto o ‘eu’ e a ‘realidade’ são faces de uma mesma moeda, uma unidade dinâmica.
É muito importante entender isso, pois a nossa sociedade tende a estimular a separação dessa unidade. Por exemplo, a tendência que as pessoas têm de botar a culpa dos seus problemas no mundo (e nos outros), assim como ‘o mundo’ dita que você é 100% responsável pelo que te acontece porque, afinal, a sociedade não causa nenhum problema, né? (contém ironia)
Mas também é importante entender que as coisas pelas quais passamos ou características que não temos como nos livrar, não são justificativa pra ser uma pessoa escrota. 🙂
Então, decidi começar uma série de posts pra falar sobre formas de fazer autoanálise, e também sobre o meu próprio processo.
Vamos começar justamente com o que mencionei lá em cima: nossas características. De uma maneira geral, posso dizer que esse exercício é focado na persona, nas “máscaras” que usamos no dia-a-dia, na nossa personalidade e afins. A primeira “camada” do nosso ser.
Mas ao invés de simplesmente escrever uma lista de palavras, imagine que você é outra pessoa, e que essa pessoa está escrevendo sobre você. Imagine que alguém chegou até “você” e perguntou: “quem é Fulano de Tal?”, e você escreve, por exemplo, “Fulano de Tal é uma pessoa X, que adora Y e Z, e sempre age da forma W.”. E por aí vai. 🙂

Escreva sobre suas qualidades, seus defeitos, seus gostos e desgostos, talentos e limites, como você era quando mais jovem, o que talvez tenha mudado de lá pra cá. Você não precisa mostrar o que escreveu pra ninguém, então deixe tudo fluir! Se quiser pode até destruir o texto depois.
O que importa é colocar o que vêm à mente no papel, em palavras concretas, e observar o processo. Foi difícil? Fácil? Deu branco? Escreveu pouco ou várias páginas? Como você se sentiu ao fazer isso? Como você ficou depois? Sentiu alguma resistência pra começar? O quê que você escreveu que te deixa feliz, e o quê que te dá desconforto?
Depois você pode refletir no que foi escrito – alguma coisa te surpreendeu? – e ver o quê que você gostaria de mudar ou desenvolver. 😉
Volta aqui depois e me conta o que achou da experiência! 😀
